Por volta de 1978, então com 24 anos, conheci uma moça e em 15 dias estávamos tirando os papéis para casamento.
No primeiro encontro ela despenca a chorar: está com dores, fez um aborto, a família não pode saber... Levo-a à um médico.
Ela queria ter muitos filhos eu também.
Concluímos por casarmos.
Na semana anterior ao casamento um alerta: ao deixá-la em casa um pouco mais cedo (já era meia-noite) ela teve uma crise séria, eu iria encontrar outra, fez uma gritaria e não queria descer do carro. No dia seguinte procurei o pai dela e disse-lhe que não haveria mais casamento e o motivo. O pai alegou muito calmamente que mulher é assim em véspera de casamento que eu deveria ter paciência.
Casamos e na tarde do casamento, ao nos prepararmos para a viagem de lua-de-mel, ela telefona ou recebe telefonema de uma amiga: Eu “fui visto com uma loura” - avançou em mim, rasgou-me a roupa.
Levava a vida em pais-de-santo que lhes diziam o que fazer. Sumia por dias (depois soube que ia fazer oferendas em Santos).
Sua primeira gravidez ela perdeu por crise de nervos: ficou roxa em posição fetal e engoliu a língua (provavelmente o feto morreu por falta de oxigênio).
A segunda gravidez ela passou sumida, assim que engravidou sumiu. Um dia tive notícias que estava no hospital dando a luz. Apareceu um dia com a nene já com 1 mês no colo dizendo que iria ficar.
A nenê chorava muito: descobri que estava desmamando-a (1-2 meses de idade) com leite de vaca, caldo de feijão e chuchu. Pacientemente levei mãe e filha a Dr. Arnaldo Marchesoni que deu instruções que a nenê deveria ser amamentada no peito. Tudo continuou na mesma e eu passava as noites massageando a barriga da nenê. Noites em claro...dias de trabalho. Comecei a me preparar para a separação e posse de minha filha a o saber que ela apanhava para parar de chorar.
Fiz diversos áudios de testemunhas que relatavam fatos, mas que se negavam a repetí-los em juízo.
Ela, ao saber de minhas intenções, se preparava para morar com os tios nos EUA.
Passei a dedicar meu tempo integral ao que necessário fosse para obter a posse de minha filha. Preparei-me, obtive provas e documentos consistentes. No momento decisivo, meu advogado não compareceu. Enviou um substituto - era amigo da advogada adversária... Fiquei esperando para apresentar minha documentação e testemunhas - o mais grave foi uma agressão sofrida pela minha filha, então com três meses de idade. Houve um acordo: assinei-o sem perceber. Eu, pouco mais que um garoto, fui entender o que se passou apenas no dia seguinte. Procurei um jurista, Dr. Artur Dibeux, doutorado em direito. Gratuitamente elaboraria a causa e a encaminharia através de um advogado. Dr. Artur levou-me para jantar, jantar ao qual ele pagou, ao final puxou um bloco de notas e perguntou- me: “Qual é o nome de sua esposa?”. Eu não soube responder! Dr. Dibeux disse-me que aquilo era como um “calo” em minha cabeça, feito para me proteger. Ainda aconselhou-me: que no estado em que eu me encontrava, nenhum juiz daria-me a posse de minha filha. Eu deveria "dar um tempo” e voltar a procurá-lo. Vinte anos se passaram! (30 anos de 2009)
Esta foi minha primeira e última grande luta, acovardei-me, perdi noções de tempo e valores! O jovem idealista acabou nesta audiência.
Ouça um dos áudios: Márcia Ferrari testemunha covarde. Na época era minha funcionária, presenciou o fato e veio me contar. Ficou me enrolando sobre testemunhar, entrou na justiça do trabalho com uma causa de valores enormes ( acima de salário de congressista ) e me tirou tudo o que eu tinha. Eu era ourives, trabalhavamos apenas eu, ela na recepção e um segurança. Por ela ter salvo a vida de minha filha (isto ela me disse) e para continuar sendo um anjo da guarda, na minha ausência, eu lhe fiz um "agrado" junto ao 13º e salário de dezembro. Deixei um bilhete de agradecimento. Este bilhete + o agrado + 13º + salário de dezembro fizeram um "salário mensal" de presidente da república! Eu estava com a cabeça zerada como demonstro no texto acima e quando vi meu material de trabalho guardado na casa de minha mãe foi todo penhorado. Depois minha mãe comprou tudo novamente (eu trabalhava nos fundos da casa e saía na rua atrás de trabalho) com nota fiscal em nome dela e data posterior; tudo penhorado novamente. "Minha mãe era uma dona de casa e não poderia ter materiais e equipamentos de ourivesaria". As 2 penhoras foram ilegais ( é impenhorável a moradia única e meio de sustento como máquina de costura ), eram meu meio de sustento, minha máquina de costura. Ação inventada, penhora ilegal. Resumindo: eu estava um tanto "passado" e tive medo de me defender, pois o mais importante era o testemunho. Deixei de ter trabalho, saúde, meios de pagar pensão.
Minha filha cresceu minha inimiga. Ela confirmou um dia o que a mãe falava. Estranhou que cada ex-marido da mãe, cada pai de seus novos irmãos também não prestassem.
Um dia (ela já tinha seus 20 anos) apareceu pedindo para passar uns dias. Soube pela mãe que ela estava fugida de uma mulher casada por envolvimento com o marido desta.
A mãe me alertava diariamente: ela é viciada, arrombou e roubou tudo o que eu tinha em casa. Hora destas você chega em casa e não vai ter mais nada.
Uma ponta de verdade havia: Minha filha havia roubado coisas da casa de uma amiga, Regina Smirne, que por conta de relacionamento com minha família não fez B.O.. Eu estava doente, problemas de artrite psorisiáca, mal dava a volta na quadra, tinha que deixar a casinha onde morava.
Um dia minha filha aparece com um tipo estranho com fala mole e gingada. Mais alguns dias eles batem o carro e visivelmente drogados fazem escândalo no PS central de Araraquara (a PM só não foi chamada para dar uma geral nos dois e no carro por minha irmã, Thelma, trabalhar no PS.
Fiquei com medo: no que havia se transformado minha filha?
Posso ter errado, mas o que me veio à cabeça foi pedir que voltasse para a mãe: “Filha, não fica bem você aqui comigo sendo que tem a tua mãe”.
Isto foi por volta de 2000 em Araraquara, mudei para Santos (em apartamento de temporada não perguntam o seu CPF) em alguns dias. Não tive mais notícias de minha filha. Tenho 55 anos, passei por apêndice supurado, tenho apnéia do sono, trabalho num dia para comer no outro. Hoje, 2009, estou com problemas graves de efeito chicote na coluna cervical (batida atrás de carro quando se está um pouco afastado do encosto de cabeça) e ombro congelado. Nunca paguei uma previdência.
Se puder fazer algo com palavras e experiência adquirida...
Seu nome é Fernanda. Teria uma vida diferente se nascida de outra mãe. Se eu continuasse com sua mãe sua vida talvez fosse o mesmo inferno que foi. Tive que fugir de tiros da mãe dela (tenho áudio de cunhada testemunha), pedir ajuda para vizinhos para carregá-la em tentativas de suicídio com comprimidos.
A cada visita, quando bebê, eu era humilhado. Cortei-lhe a franja (incomodava os olhos) certa vez e tive que escutar do promotor que eu não tinha este direito. Outra vez chovia torrencialmente e atrasei alguns minutos para devolvê-la, neste caso tive que pedir para ex-sogra pegá-la na esquina, pois sabia que ela avançaria em mim e que com a nenê no colo eu não teria defesa (e mais trauma para mim e pra Fernanda).
Uma separação tem que ser bem feita, partes ouvidas, declarações investigadas.
Espero que a Fernanda tenha se recomposto (poucas chances) e leve uma vida normal. Minha vida acabou nas mãos da mãe dela.
comente: admin@sitesuteis.com